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20 de Agosto de 2019

Brasil prepara discurso sobre clima e se alinha com EUA

Yuri Marinho, Diretor Geral
Publicado por Yuri Marinho
há 4 anos

O Brasil está se preparando para mais uma Conferência das Partes (COP, do inglês Conference of Parties) sobre mudança do clima. A atuação diplomática do país em temas ambientais internacionais tem sido constante e marcante desde 1972 e destacou-se, principalmente, após 1992, ano em que sediou a conferência popularmente conhecida como ECO-92, que trouxe como um de seus resultados a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

A Convenção do Clima, este ano, celebra a COP 21. Ou seja, é a vigésima primeira vez que os países signatários se encontram formalmente para tomar decisões e discutir temas relacionados ao clima e à convenção. O encontro ocorrerá em Paris e terá, como uma de suas metas, limitar o aquecimento global em 2 graus celsius.

Dilma Roussef, em visita ao presidente americano Barack Obama na semana passada, já adiantou as intenções do Brasil: (i) reflorestar 12 milhões de hectares, (ii) criar condições para que energias renováveis respondam por 28% a 33% da matriz energética do país e (iii) reduzir a zero o desmatamento ilegal. O prazo para tais metas é 2030.

Nessa mesma esteira e reiterando compromissos do Governo Brasileiro no avanço da participação de fontes renováveis na matriz energética nacional, no último dia 03 de julho, durante discurso de posse do novo Presidente da CHESF (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), Sr. José Carlos de Miranda Farias, o Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, enfatizou a participação cada vez maior da energia eólica no cenário nacional. Não somente isso – destacou não só o fortalecimento da energia eólica como fonte de energia limpa, sustentável e economicamente viável como também dos esforços em colocar sob o mesmo patamar a energia solar que atrai olhares cada vez mais atraentes e incentivos crescentes do setor público e empresariado. Os altos índices de fatores de capacidade observados nas usinas eólicas no nordeste brasileiro vêm superando as expectativas e o potencial de geração de energia solar aponta interessante energia entre os dois recursos diuturnamente. Os investimentos na modernização de uma energia renovável fora do padrão hídrico brasileiro denota a capacidade do país em compatibilizar uso de recursos naturais com tecnologia em benefício do meio ambiente e sociedade no combate às mudanças climáticas.

No Estado de São Paulo, os preparativos e as metas também são significativos. A Secretária de Meio Ambiente, Patrícia Iglecias, no cargo desde janeiro de 2015, tem apresentado atuação intensa e registrado a seriedade e compromisso do Estado com a temática ambiental. A questão climática tem recebido atenção especial. Exemplo disso é a presença da secretária no World Summit Climate & Territories, em Lyon, na França, na semana passada.

Numa perspectiva de economia colaborativa de uma sociedade pós-capitalismo, o panorama internacional ganha contornos interessantes. Seja com o avanço tecnológico no combate às mudanças climáticas alterando fontes complementares num modelo eólico-solar do Nordeste brasileiro, seja na inclusão do tema na pauta de governantes de megalópoles e grandes economias globais como Brasil, Estados Unidos e até mesmo China, que reafirmou interesse na redução de emissão de gases poluentes na atmosfera.

É expectativa de todos que a COP 21 traga avanços significativos nas negociações internacionais sobre clima e que o Brasil tenha participação efetiva, seja como propositor de ideias, seja como exemplo de boas práticas - é importante lembrar que São Paulo já foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas como modelo para resiliência urbana.

Autores: Yuri Rugai Marinho, empresário, diretor da Eccon Soluções Ambientais. João Vidal, advogado, gerente de Meio Ambiente e Sustentabilidade na Casa dos Ventos Energias Renováveis.

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